A Liga Mirim #80 a #84

80 81 82 83 84

 

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A Liga Mirim #79

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A Liga Mirim #78

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A Liga Mirim #77

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A Liga Mirim #76

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Conto: O Herói Esquecido

Bedford, Connecticut – Verão de 1985.

O Centro Médico do Marshall College vivia quase sempre lotado. Ele oferecia atendimento em várias especialidades, se destacando na área de tratamentos pediátricos e neurológicos, tendo se tornado uma referência em tratamentos pioneiros de várias doenças, como por exemplo, Alzheimer. Ao contrário do que acontecia quase sempre, a sala de espera, no saguão principal, não estava cheio. Duas mães, uma senhora obesa de origem italiana e outra de aparência oriental conversavam enquanto esperavam atendimento para seus filhos, que fariam testes de rotina. As duas crianças corriam para lá e para cá entre as poltronas da sala de espera, o italianinho com um boneco do Batman nas mãos e o oriental com um do Homem-Aranha.

Um carro parou bem próximo da entrada principal, e um senhor, aparentando por volta de 80 anos, desceu. Com a ajuda de sua bengala caminhou os três metros que separavam o meio fio da entrada do saguão do hospital. Parecia um senhor normal, e as únicas coisas que se destacavam nele era que ele usava um chapéu surrado, que aparentava ter a mesma idade que ele e que seu olho direito era coberto por um tapa-olho. Antes de entrar no hospital, virou-se uma vez e acenou para o homem que dirigia o carro, provavelmente seu filho. Entrou na sala de espera e a atendente lhe fez um pequeno cumprimento com a cabeça, que ele retribuiu. Já estivera ali várias vezes, e aquela seria apenas mais uma consulta de rotina. Escolheu uma poltrona e sentou-se.

Os dois meninos corriam e brincavam entre as poltronas enquanto as mães, muito envolvidas na troca de fofocas, mal os notavam. A atendente já havia lançados olhares ameaçadores para os dois, mas estes nem ligaram e continuaram com a sua bagunça. No meio da brincadeira, o boneco do Homem Aranha acabou rolando pelo chão e batendo no pé do senhor. Ele se abaixou na cadeira com certa dificuldade, mas recolheu o brinquedo. Quando os dois meninos pararam em frente dele. Ele sorriu e devolveu-o.

– Qual o seu nome? – perguntou ao menino asiático.

– George Wong, senhor… – respondeu o menino, meio que assustado a princípio com o velho de tapa-olho. Mas o sorriso do senhor era tranquilizador, e o menino achou a figura interessante, como um personagem de TV.

– E eu me chamo Luca! – o pequeno ítalo-americano já se intrometeu na conversa.

O velho senhor abriu um pouco mais o sorriso. Comentou, tentando brincar, que eles deveriam gostar muito de super-heróis. Pela intensidade da bagunça que os dois estavam fazendo, eles deveriam “amar” super-heróis. O velho senhor ergueu um pouco a cabeça, deu um longo suspiro, e começou a conversar com os meninos, que pareciam meio surpresos pelo senhor ter puxado conversa com eles.

– Quando eu era jovem nós não tínhamos heróis como estes – apontou o indicador para os bonequinhos nas mãos dos meninos. – Nossos heróis eram exploradores e cientistas. Lembro-me das aventuras deste jovem. Ele resgatava tesouros pelos quatro cantos do mundo. Acho que ele teve um amigo certa vez parecido com você George.

– Ele enfrentava monstros do espaço e super-vilões? – o pequeno italianinho estava empolgado, mas o velho senhor não sabia se era por causa de sua história ou porque ele era o tempo todo assim.

– Ah, os vilões naquela época eram outros meu caro, e eles foram mudando com o passar do tempo… Mas eu acredito que eram todos deste mundo… Na verdade, acho que possa até ter havido algo de sobrenatural nas aventuras dele… Minha memória já não é mais a mesma hoje em dia, sabe. – O velho senhor tirou um lenço do bolso e limpou os óculos.

– Mas para ser legal, um herói tem que enfrentar monstros… tem que ter explosões, tiroteios. Isso de achar tesouros é coisa de pirata! – o pequeno italiano arfava enquanto falava.

– É, até parece os filmes preto e branco que o meu tio Stephen assiste! – o outro retrucou.

Percebendo que sua conversa não estava impressionando muito os meninos, o senhor resolveu que era melhor deixá-los voltar a sua brincadeira, e se despediu deles com um afago na cabeça de cada um. As mães, envolvidas em seu próprio universo de maledicência alheia, nem perceberam a breve conversa entre eles. Enquanto olhava os dois meninos se afastando, sussurrou baixinho, entre dentes:

– Como era mesmo o nome deste herói?

– Dr. Jones, a Dra. Sullivan vai atendê-lo agora.

A atendente viera chamá-lo para a consulta que ele tinha com a neurologista. O filho, que chegara a pouco e estava estacionando o carro, observara a conversa do pai com os meninos, e parecia ter os olhos marejados, que enxugou rapidamente com um lenço, reclamando alguma coisa sobre o calor. O senhor fitou a atendente como que se tentasse buscar do fundo da mente o seu nome.

– Eu sou a Sally, Dr. Jones…

– Sally é claro. – Fingiu lembrar-se. Tomou o braço da moça e seguiram pelo corredor em direção ao consultório.

Ele nunca mais lembrou o nome do herói de sua juventude.

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A Liga Mirim #75

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A Liga Mirim #74

74

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Conto: A Nave Abandonada

Por Daniel Rossi.

O pequeno interceptador Jedi acabara de sair do hiperespaço. Seu ocupante, um jovem (para a sua raça) mestre jedi de 200 anos olhava fixamente a frente, e começava a perceber ao longe o seu objetivo. A nave cargueira era enorme, porém diferente de todos os grandes transportes corellianos a que ele se acostumara nos últimos anos como defensor da galáxia. Ela certamente deveria estar vagando pelo espaço há alguns anos, e apesar de não apresentar sinal de vida, seu casco externo não parecia ter sido avariado por algum combate.

Ele prosseguiu em velocidade cautelosa a sua aproximação. Tentara por várias vezes estabelecer comunicação, mas em vão. Um batalhão de soldados havia aportado naquela mesma nave alguns dias antes, e após algumas horas não haviam mais realizado contato. Por isso, o conselho o havia designado a missão de averiguar o que poderia ter ocorrido, e se a nave errante poderia significar alguma ameaça aos sistemas próximos a sua localização. Ele pousou cautelosamente a pequena nave sob a fuselagem do cargueiro, e um pequeno duto desceu de sua parte inferior, criando um espaço onde o jedi poderia descer e entrar em contato com o casco. O mal iluminado e apertado compartimento se iluminou com a luz verde de seu sabre de luz, e ele cuidadosamente abriu um espaço no casco de metal escurecido da nave misteriosa.

Com extrema habilidade, surpreendente para uma criatura de seu tamanho, o pequeno Jedi, em uma ação acrobática, desceu do teto de um corredor para dentro da nave. O corredor era escuro, e tinha tubulações nas paredes que deixavam escapar pequenas quantidades de um gás claro por brechas abertas pelo que pareciam ser buracos abertos por projéteis. Havia existido combate, no final das contas. Caminhou um pouco mais e percebeu agora marcas de batalha mais familiares: eram similares a que um blaster, arma de energia utilizada pelas tropas da república deixariam. Apesar da óbvia evidência de que havia ocorrido um conflito naquele local, quando ele utilizou seus poderes da Força para tentar sondar o ambiente, não encontrou nenhum sinal de vida. Após averiguar que a atmosfera do ambiente era respirável, ele retirou a pequena máscara e a guardou dentro de seu manto.

Ele caminhou um pouco mais, e agora o silêncio no corredor poderia ser comparado apenas ao vácuo do espaço. Porém, outro sentido acabou sendo aguçado. Um cheiro acre, que foi crescendo em intensidade a cada passo que o pequeno Jedi avançava. Um cheiro de morte. Foi então que ele finalmente vislumbrou. Deitado de forma desajeitada num canto do corredor, um homem, com roupas de soldado da república, peito estraçalhado, jazia. A expressão no rosto que começava a se decompor era de absoluto terror. Aquela visão perturbou o cavaleiro Jedi, que apesar de acostumado com combates e batalhas, até então não tinha presenciado uma brutalidade daquela proporção. E os corpos só foram aumentando, conforme ele investigava mais a fundo os corredores. Ora eram soldados republicanos, ora eram outros homens e mulheres, estes já em forma de esqueletos putrefatos, pois já estavam ali há muito mais tempo. Suas roupas em farrapos não pareciam com a de nenhum povo que ele já havia conhecido.

Foi então que ele percebeu o ruído. Mesmo que seus poderes na Força não o tivessem alertado de nada, um pequeno estalo, que um humano não conseguiria ouvir com sua capacidade auditiva reduzida. Quando a criatura soltou o guincho selvagem, o Jedi já havia rodopiado nos tornozelos e sabre de luz em punho, estava preparado. Com um único golpe, preciso, de cima para baixo, cortou a criatura de crânio alongado em duas. Apesar da criatura não representar mais perigo e não ter tido sequer a oportunidade de tocá-lo, sentiu o que pareciam pequenas ferroadas pelo corpo, nos locais onde o sangue da criatura o havia salpicado. Apesar do golpe da espada de luz ter quase que cauterizado o ferimento ao mesmo tempo em que o infligia, as pequenas gotas de sangue da criatura queimavam a sua pele como ácido. Retirou um pequeno spray de um compartimento no cinto e espirrou seu conteúdo nos locais onde a dor era maior, o que lhe conferiu certo alívio temporário.

O Jedi respirou fundo, tentando recuperar o equilíbrio. Teria aquela única criatura sido responsável por toda aquela carnificina ao seu redor? Que tipo de criatura seria aquela, que seus poderes da Força não poderiam pressentir a presença? Antes que ele pudesse terminar o pensamento, a resposta fez com que seu pequeno corpo estremecesse. O tilintar começou quase inaudível, e vinha do corredor a sua frente. No instante seguinte, já o ouvia acima de si e do lado esquerdo. Eram como o som de metal em metal, semelhantes ao ruído que ouvirá antes do bote da criatura, só que dessa vez multiplicada as dezenas. Na absoluta escuridão à frente, começou a ver reluzida a luz verde de seu sabre de luz nos crânios reluzentes das criaturas. Havia pelo menos 12 no corredor a sua frente, e talvez mais uma dezena correndo pelas estruturas do corredor, acima dele e a sua esquerda.

Antes que as criaturas ao seu lado pudessem atacar, fez um pequeno gesto com a mão de três dedos. Um contêiner que estava jogado no corredor voou com o poder da Força e atingiu a massa que estava a frente do Jedi em cheio. As criaturas, meio atordoadas, tiveram que se reagrupar, mas enquanto isso o Jedi já começava a enfrentar as criaturas que haviam saltado arrebentando a parede e parte do teto a sua esquerda. Apesar da ferocidade das criaturas, o Jedi, pequeno e ágil como um animal em fuga, rodopiava no ar e golpeava, salpicando as paredes da nave com o sangue ácido. O Jedi não atacava com o intuito de eliminar as criaturas. Percebera que elas tinham um número muito grande, e mesmo com toda a sua destreza, acabaria perecendo no combate. Sua única chance seria chegar de volta ao seu interceptador, retornando pelo corredor de onde viera, mas que estava agora longe e com o caminho fervilhando de inimigos.

Yoda_Aliens

 

E ele o fez. Com extrema dificuldade, o pequeno Jedi abriu caminho no meio do exército de criaturas, e chegou ao que pareciam pouco mais de 20 metros do ponto onde sua nave havia acoplado na nave fantasma. Porém, entre ele e a segurança, havia pelo menos uma dezena de criaturas. Atrás de si, um número similar se aproximava rapidamente, sedenta para destroçar o diminuto guerreiro. As criaturas pararam a alguns metros dele, guinchando e se movendo na escuridão como se fosse uma única forma viva. Foi neste momento que ele percebeu que se quisesse permanecer vivo, teria que usar mais do que sua habilidade com o sabre. Enquanto as criaturas o fitavam e preparavam o bote mortal, silenciosamente o Jedi usou seu poderes para que um cabo de energia, que tilintava no chão próximo a ele se enrolasse o mais firmemente possível em sua perna direita. Ele desativou seu sabre de luz e fechou os olhos. As criaturas finalmente guincharam uma última vez e saltaram sobre ele.

O Jedi não ouviu o som de seus atacantes. Estava imerso demais na força para que qualquer coisa no mundo exterior pudesse abalá-lo. Com um esforço mental que extrapola qualquer tipo de força física conhecida, o Jedi começou a alterar o universo a sua volta. Rebites voaram das paredes da nave no mesmo instante em que a máscara de suporte de vida voou de seu cinto e fixou-se firmemente em seu rosto. A couraça se dobrou e o barulho seria ensurdecedor não fosse consumido ele pelo vácuo do espaço. Tanto as criaturas quanto o Jedi voaram, mas este último, firmemente preso à fuselagem da nave pelo cabo de força, manteve-se no lugar. Ele agora se arrastava, prendendo-se a fuselagem da nave e desviando os destroços que voavam com a Força. Percebera que tinha um poder maior do que imaginava, mas aquele pensamento passou como um piscar de olhos na sua mente. Seu objetivo agora era chegar ao orifício que o levaria a segurança do interior de seu interceptador. As criaturas não eram mais problema, pois estavam sistematicamente sendo sugadas para o espaço.

Com extrema dificuldade, chegou a entrada para sua nave. Quando a comporta que ligava o interceptador Jedi ao cargueiro se fechou atrás dele, o Jedi caiu pesadamente sobre ela, no momento que a gravidade artificial tomou conta do duto. Estava exausto. Com o toque de um botão, o duto se recolheu e ele estava agora no cockpit do interceptador. Rapidamente se desacoplou da nave e pôs-se em retirada. Ao passar ao largo da fuselagem do enorme cargueiro, conseguiu ver de relance outros compartimentos da nave fervilhando de criaturas. Distanciou-se, realinhou a nave e ativou seu sistema de armas. Este localizou o melhor ponto para impacto, e ele disparou toda a carga de torpedos de prótons que o pequeno caça transportava. A nave não era feita do mesmo material que os grandes Destroyers que ele conhecia, infinitamente mais resistentes, e com a inexistência de escudos, começou a partir-se com o impacto dos torpedos em seus reatores. Pouco antes de a nave explodir completamente, o pequeno jato saltou para o hiperespaço.

O pequeno Jedi estava vivo, porém ferido e exausto. Colocou os sistemas de navegação no automático e adormeceu. Tinha descoberto ter um poder além do que já havia imaginado, e aprendera uma lição valiosa: não confiar apenas nos seus poderes Jedi, mas estar sempre alerta a tudo a sua volta. Esta lição seguiria com ele por toda a sua existência, e o auxiliaria a sobreviver aos perigos que o futuro guardava, e a completar uma tarefa muito mais grandiosa que mudaria o destino da galáxia.

 

 

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A Liga Mirim #73

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