Faca na caveira!

Como “Tropa de Elite” se tornou um fenômeno

Um mérito é inquestionável em relação a Tropa de Elite: o filme revitalizou o interesse do público por cinema nacional. Mesmo sem ter ao menos estreiado no cinema, o filme criou um burburinho que nenhum filme da “retomada” foi capaz. O fato do filme ter sido distribuído em tamanha quantidade (estima-se que 1 milhão de DVD’s foram produzidos ilegalmente) só contribuiu para a aura “cult” que o filme está alcançando. Gostando ou não, você vai conversar com alguém sobre o filme. O filme é destaque nas revistas semanais, jornais e programas de TV. Mas afinal, porque tanto falatório?

O filme conta a história do Capitão Nascimento (Wagner Moura, excelente), oficial do BOPE que está a procura de um substituto para o seu lugar, agora que ele vai virar pai. Em paralelo, vemos a história de Neto e Matias (Caio Junqueira e André Ramiro, este estreando),  dois policiais que estão tentando achar um algo mais no seu trabalho na PM. Os destinos dos três se cruzam no treinamento para a Tropa de Elite.

“Parece filme americano”

Várias pessoas que conversei sobre o filme fizeram o mesmo comentário. Na verdade, Tropa de Elite tem ação acima da média para filmes nacionais. A representação de uma “SWAT” brasileira parece empolgar o público mais jovem. Esse público também parece abstrair a realidade inserida no filme, curtindo o filme como um “Duro de Matar”. Talvez esse público nem se reconheça na “juventude engajada” que é retratada no filme.
A sensação de filme hollywoodiano vem da qualidade técnica que o diretor José Padilha imprimiu no filme. Tudo nesse aspecto parece ter sido feito no capricho. Boa edição, fotografia e sonoplastia. Além dos recursos de efeitos especiais (o sangue jorra com vontade).
Para quem está encarando o filme seriamente, além da simples diversão, o campo de discussão é imenso. Até de fascista o filme foi chamado. Para mim, o filme mostra um fato que só não vê quem não quer. Já a glamourazição da violência, a aceitação da tortura e outros aspectos estão na cabeça de quem está assistindo. O filme enfatiza em vários momentos que o Rio está em “guerra”. E é inocente aquele que pensa que a conduta dos soldados do BOPE difere da de outros soldados em zona de guerra. Em uma guerra, as atrocidades são executadas por todos os lados. O que acontece é que o lado que vence a guerra conta a história. A imagem do justiceiro, que toma a justiça em suas mãos é explorada a décadas pelos blockbusters americanos, e a gente consome sem reclamar. A diferença do personagem do Capitão Nascimento com um dos personagens de Charles Bronson, por exemplo, é a ambientação.

Trocando em miúdos

Tropa de Elite é, na minha humilde opinão, um grande filme. Eu com certeza pagarei com satisfação o valor do ingresso. E no cinema a experiência será muito mais interessante.

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2 Responses to Faca na caveira!

  1. Rodrigo says:

    Vo comentar nesse blog por que se não o Rossi chora……

    Falando serio agora…..

    Esse filme é muito bom…. Achei muito massa…. Nem parece mesmo filme brasileiro…..

  2. Fronza says:

    Você falou tudo quando fez a relação com os “heróis” americanos equivalentes ao Capitão Nascimento, que consumimos durante décadas e nunca reclamamos ou achamos absurdo!

    Tenho uma puta cabreragem quando esses falsos-moralistas vem com esse papo furado sobre disseminação da violência, torturas, etc. Meu, é a realidade, força.

    Sem citar nomes, certa vez uma mãe que teve sua filha brutalmente assassinada foi questionada sobre seu sentimento em saber que os criminosos já estavam a solta, ela disse:

    “Eu não tenho mais nada a perder, o que eu tinha de mais valor eu já perdi (a filha), quem deve temer agora é a sociedade, não eu, para mim não faz mais diferença…”

    Cadê os direitos humanos?!

    Durante o programa Roda Viva, ao ser questionado se não havia algo errado na violência do BOPE, o Padilha (diretor) respondeu: “Uma sociedade que precisa do BOPE já tem algo errado”.

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