O politicamente correto e Hollywood

Sou fã incondicional de Sylvester Stallone. Últimamente, estou me dedicando a colecionar todos os seus filmes. Tanto os grandes filmes (“Rocky, Um Lutador”, e hã… algum outro que não lembro agora…) como aqueles que não são tão bons assim, mas são clássicos (“Rambo – Programado para Matar”, “Falcão – O Campeão dos Campeões”, “Stallone Cobra”), até os mais podrões (“Pare Senão Mamãe Atira”).

Nesse intuíto, recentemente revi o “Stallone Cobra” e percebi uma coisa: o filme é violento para caramba! Até ai tudo bem, todo mundo sabe. Mas o que achei curioso é que o nível de violência do filme está acima dos padrões de filmes violentos de hoje em dia. E além da violência, muitos dos padrões de comportamento dos heróis dos anos 80 e décadas passadas seriam totalmente inadequados nos dias de hoje

Meu contraponto é o recente “Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian”. Tanto esse como o primeiro Nárnia possuem batalhas épicas, com espadas, catapultas e o escambau. E não tem uma gota de sangue! As pessoas podem argumentar que é um filme produzido
pela Disney e destinado a um público infantil. Concordo que cabeças voando e jorros de sangue (estilo “Kill Bill”) seriam inadequados, mas a total assepsia do filme desvirtua um pouco a obra original de C. S. Lewis. Os filmes da trilogia de “Senhor dos Anéis” possuem o mesmo tipo de batalha e mesmo não possuindo violência exagerada e sangue em excesso, passam a idéia da dramaticidade do que está acontecendo naquele ponto da trama.

Falando em “Kill Bill”, que sem dúvida é um dos filmes mais violentos do cinema recente, ele é o que mais lembra os filmes de ação anos 80. Um filme que hoje é polêmico e talvez nos anos 80 não causaria tanta celeuma. Meu objetivo nesse texto não é conclamar que os filmes sejam mais violentos. Meu ponto é o seguinte: como que, de uma década para outra, Hollywood se rendeu ao politicamente correto. Nos anos 80, você ia assistir ao Cobra no cinema, via toda aquela violência e saia para comer um pizza depois com os amigos. Hoje em dia, os moleques saem dos filmes querendo comprar armas para matar os colegas de colégio. Mas será que a culpa é realmente dos filmes, livros, games e afins?

Hollywood sofre, na minha opinião, um cabresto criativo. Eu fico imaginando como clássicos do cinema como “O Poderoso Chefão”, com suas cenas de fuzilamento de mafiosos, “Platton”, “Apocalipse Now” e “Taxi Driver” seriam realizados hoje em dia. Não só na questão de violência, mas no que é ou não “politicamente correto”. Será que eles seriam encarados apenas como cinema ou os críticos diriam que são filmes com violência gratuíta para chamar a atenção? Foi assim que Rambo IV foi encarado pela crítica. Não que o último filme de Stallone chegue aos pés desses pérolas do cinema, mas ele tenta mostrar uma realidade de forma nua e crua. Por mais que seja revoltante a violência do filme, não podemos simplesmente fingir que ela não é real, ou até mesmo mais aterradora na vida real. O mesmo pode-se dizer de “Tropa de Elite”, o que prova que a onda politicamente correta não afeta apenas a capital do cinema.

Tive um outro exemplo recentemente assistindo, vejam vocês, a antiga série do “Agente 86”. Em uma cena em que um dos vilões da trama rende Maxwell Smart, a sua companheira 89 chega de mansinho e manda um balaço à queima roupa pelas costas do criminoso, e os dois saem de cena em seguida dando risada! A cena é hilária, mas eu duvido que seria retratada dessa forma em uma produção atual.

Até mesmo Star Wars teve a cena que Han Solo mata Greedo na cantina em Mos Esley alterada para que o alienígena atirasse primeiro, para que Solo pudesse alegar “legítima defesa”. E esse tipo de puritanismo exacerbado irritou profundamente, pois alterou algo que é da essência do personagem, que apesar de ser bom, não precisa ser um anjo imaculado. A figura do anti-herói não tem mais vez no cinema atual.

Isso acaba influenciando negativamente as produções onde a violência faz parte do filme como componente relevante a trama. Uma produção que tem classificação etária alta nos Estados Unidos é considerada uma produção de risco, pois a maioria dos filmes hoje é focado no público jovem. Com isso, o último filme do Justiceiro, personagem adulto da Marvel, se tornou uma fita de ação insossa e sem graça. O PG-13, que classifica os filmes como mais ou menos violentos criou um linha limite do que pode ser colocado no filme ou não. O diretor não tem mais a liberdade de decidir o que deve ou não entrar no seu filme. Os produtores estão sempre por perto para limitar a violência ou comportamentos inadequados, como “tias velhas” puxando a orelha dos que querem subverter os padrões estabelecidos.

O que aconteceu, por exemplo, com os filmes da franquia “Alien vs. Predador” ilustra esse conceito. Esses filmes, feitos do jeito que teriam que ser, seriam sem dúvida destinados apenas para maiores. Mas seguindo as recomendações das “tias velhas”, acabaram virando filmes pipoca destinados a gerar colecionáveis para crianças e games sem graça.

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