Primeira Audição: Chinese Democracy

Finalmente aconteceu. O novo disco do Guns n’ Roses já havia se tornado uma espécie de lenda urbana, mas finalmente “Chinese Democracy” foi lançado. Veja as minhas impressões durante a primeira audição do novo trabalho de Axl Rose e seus comparsas.

Chinese Democracy: Início climático, com vários overdubs. Bateria pesada emulando os tambores chineses. Mas dai do nada surge o riff pesadíssimo e a voz de Axl surgindo das profundezas. O Guns está de volta! Peso é o que não falta nesta faixa de abertura. A voz de Axl parece mais madura do que dos tempos de Use Your Illusion, mas continua poderosa. Destaque para o trabalho primoroso de guitarras. Essa é para fazer o povo pogar que nem louco.

Shackler’s Revenge: Mais uma música que puxa mais para o lado Heavy do que o Hard Rock costumeiro. Existe um trabalho interessante nos vocais dessa música, com Axl em várias camadas, em overdub. O refrão é ganchudo, vai certamente grudar na sua cabeça.

Better: Mais uma que começa climática e ganha peso. Só que dessa vez com um pouco menos de peso e mais melodia. É a primeira vez que escutamos a voz de Axl cristalina, sem efeitos. Parece uma mistura do Guns de Use You Illusion atualizado para os anos 2000. É legal como a banda está criativa, não ficando presa a um esquema nostálgico. É o tipo de música que mostra que uma banda tem ainda bastante lenha para queimar.

Street Of Dreams: Remete imediatamente a “November Rain”, mas apenas por um segundo. Power Ballad com piano como só o Guns costumava fazer. Até aqui é a música com mais cara de “vai tocar no rádio”. Solo de guitarra simples, limpo e eficiente, com muito feeling. No fundo você ouve um trabalho de cordas discreto, mas que dá um toque de classe à música. Gostei bastante. E é bom perceber que Axl ainda consegue cantar de uma forma mais leve e tradicional sem perder a qualidade.

If The World: Começo com percussão e violão com uma batida meio cigana. Sintetizadores e uma guitarra em wah-wah fazem à levada. Com a guitarra mais discreta, dá para perceber mais claramente que a cozinha do Guns está afiada também. Bateria e baixo formam um conjunto com muito swing nessa música.

There Was A Time: Ao começar a escutar essa me deu impressão de estar escutando algum tema de abertura de filme de 007 (risos). A levada com cordas dá um tom épico à música, com corais na introdução e tal. Remete um pouco ao que o Guns fez com “Live And Let Die”, só que com um pouco mais de peso. Não vou me espantar se o próximo filme de James Bond tiver um tema do Guns.

Catcher In The Rye: Mais uma para tocar no rádio. Lembra um pouco as baladas que o Aerosmith costuma fazer. Refrão pegajoso e melodia que gruda na cabeça.

Scraped: Vocalização no início e a volta do peso. Uma música na média do álbum, mas que não se destaca muito diante das outras músicas mais pesadas.

Riad N’ The Bedouins: Música com o andamento extremamente quebrado. Em alguns momentos me lembrou Red Hot Chilli Peppers, por causa do baixo e bateria em constante troca de ritmo. Outra que fica na média do álbum, mas sem nenhum destaque especial.

Sorry: Pink Floyd? Guns progressivo? É o que o início da faixa dá a entender. Talvez a música que mais surpreenda no disco todo, por ser realmente diferente de tudo o que eu me recordo do Guns. A semelhança com algumas músicas de Roger Waters e Cia é clara. Até o timbre da guitarra no solo remete a David Gilmour. Independente disso achei a música muito boa. Talvez um pouco “diferente demais” no contexto do álbum, mas mesmo assim uma boa música.

I.R.S.: A primeira música no álbum todo que me recordou de imediato o “antigo” Guns. É uma música que facilmente se encaixaria em Use Your Illusion. É um rock sem muito peso, com mais swing e uma acento mais blues em alguns momentos. E tem um refrão daqueles que vão crescendo, como só o Guns sabia fazer.

Madagascar: Balada com um clima mais triste, principalmente na voz de Axl. Bom trabalho de cordas, que faz a cama perfeita para as constantes intervenções de guitarra. Vozes e efeitos deixam a música mais “lisérgica”, inclusive com alguns trechos já usados em “Civil War” e discursos famosos, como o “I have a dream” de Martin Luther King. Rock de alta qualidade.

This I Love: Balada voz e piano. O destaque fica mais uma vez para a voz de Axl, que prova mais uma vez saber muito mais do que berrar. Apesar de ser uma bela canção, não acrescenta muita coisa no contexto do álbum. É aquele tipo de balada épica que o Guns sempre faz.

Prostitute: Segue a linha de outras músicas do álbum, com um pouco menos de peso e um trabalho mais elaborado, com cordas e tal. Uma boa música também, mas um pouco desnecessária a esta altura do campeonato.

Concluindo, achei Chinese Democracy um excelente álbum. Aliás, um dos melhores de rock em 2008. Não é nada que mudará a música como a conhecemos, mas mostrou que o Guns continua vivo na cabeça de Axl Rose, é que os 17 anos sem álbuns inéditos não foram totalmente desperdiçados. Só o achei um pouco longo demais. Talvez com 10 ou 12 músicas ficasse mais adequado, porque às vezes ele se torna um pouco repetitivo. Mas nada que tire o brilho do retorno do Guns n’ Roses.

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12 Responses to Primeira Audição: Chinese Democracy

  1. Fronza says:

    Wow! É isso cara, olha a mídia independente fazendo a lição de casa!

    Finalmente uma crítica sobre AS MÚSICAS e não sobre o ego do Axl, ou a falta do Slash, ou aos 14 anos de produção ou “isso não é GN’R”.

    Parabéns pelo texto! O CD é “duca” mesmo! =D

    CHINESE DEMOCRACY STARTS NOW!
    “Don’t you try to stop us now”

  2. Fernando Padovani says:

    Grande Rossi !

    Chinese Democracy eh um dilema, que vai perdurar, ateh q alguma novidade apareca no mercado. O dilema eh simples: O Chinese Democracy eh Gun’s Roses ??? Dilema suficiente para fans de Axl e Slash sairem na facada!
    Extremistas dirao q Axl ressurgiu das cinzas (ou do poh), e realmente, com um trabalho digno de levar o titulo de um trabalho do Guns. Musicas marcantes (better e Shackler’s revenge) nos induzem a fatalmente pressionar o “repeat”!
    Mas para aqueles que, como eu, passaram a adolescencia decorando solos de Sweet child’o mine, ou Paradise City, notam que, o album nao tem uma “identidade” definida. Mistura de ritmos e estilos se chocam, mais parecendo uma coletanea que um album. Eh a mesma coisa que pegar os albuns solo de Bruce Dickinson e dizer q eh Iron Maiden!
    Axl conseguiu se modernizar. E com isso, juntar os fans antigos e angariar a molecada, carente de novidades. Um conselho: Deguste-o sem comparacoes. Vai ver que o trabalho eh deveras agradavel.

  3. Benito Ferro says:

    como comentei com meu amigo fronza hoje… não sou fã de guns talz, não ouvia guns e seus cds antigos (na verdade tinha até um “preconceitosinho”) … mas pedi para ele me comprar um chinese democracy e estou ouvindo no carro agora…

    não ouvi todas as musicas inteiras faixa a faixa, mas pelo que ouvi, me parece que o Axl guardou o futuro do rock n roll durante todos estes anos e agora o deixou sair para nós pobres mortais! =D

    album muito bom mesmo !

    tks
    Benito (opinião de um “não fã” do Guns antigo) o

  4. Fronza says:

    Pior que o Benito e o irmão dele tinham um “preconteitozinho” devido a poserzisse do Old GN’R, mas fiquei surpreso em ver que eles realmente curtiram o New GN’R, e isso é muito bom!

    O GN’R perde os “viúvas de Slash” e ganha novos fãs cabeça aberta!

    WOW!

  5. vinícius quintino says:

    Parabéns meu cumpádi…

    Que carater vc tem hein pois é difícil hoje em dia alguém postar um comentário tão detalhado e honesto quanto o que você fez. Espero que a mídia especializada pare com a perseguição ao Axl e passe a escutar o álbum que eu particularmente acho magnífico aí sim faremos justiça ao esforço do Sr. William Axl Rose que passou 15 anos para nos estregar esta pérola que no seu entendimento é a perfeição.

    Valew continue assim!!!

  6. Voodoochild says:

    Gostei do review, mas fiquei com a impressão que só houve uma audição. Talvez com algumas mais passe a gostar de outras como Scraped e Riad (que demoram a ser digeridas mesmo).

    Parabéns, fico feliz de ver algo baseado nas canções – independente de ser positivo ou não.

  7. Douglas says:

    Gostei do texto. Não vou falar muito do disco em si, pois ainda não chegou o meu (isso que dá morar no interiorrrr). É bom saber que o Chinese Democracy está agradando bastante gente e que aos poucos o Axl vai readquirindo seu espaço. De vez em quando eu faço alguns reviews também, se quiser dar uma olhada passa lá no meu blog 😀
    Abraço!

  8. Daniel Rossi says:

    @VoodooChild

    Realmente, eu escrevo o review na primeira vez que escuto o CD, por isso o título “Primeira Audição”. É para sair um texto com a minha primeira impressão, que realmente pode mudar quando eu escutar mais vezes o álbum. Mas como dizem que a primeira impressão é a que fica… hehehe
    Realmente a cada audição o CD me parece melhor.

  9. Daniel Bera says:

    Parabens cara!!!! Puta review lega, sincero e muito “INTELIGENTE”. quanto ao cd, achei muito bom mesmo, pena que a maioria que nem conheça rock direito esteja apedrejando o mesmo sem ter escutado com a devida atenção. Chinese pode não ser o melhor cd de rock no mundo mais atualmente não tem nada melhor, e outra coisa; o Axl foi muito macho pra se arriscar desta maneira e isso mostra o qto ele é talentoso e não aquele mercenário que a turma pintava, pois seria a coisa mais facil pra ele fazer um som das antigas só pra agradar e vender…..

  10. zk says:

    ta mas cade o cd?

    haha

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