Parque de diversões com zumbis?

Enquanto a mídia em geral caminha para transformar os vampiros, mais populares monstros do cinema, em um grande episódio de Barrados no Baile, com vampiros cada vez mais “sensíveis” e afeminados, os filmes de zumbi mantêm o seu papel para aqueles que apreciam um bom filme de terror e suspense. Me desculpe a juventude emo, mas eu prefiro assistir mais uma vez a Madrugada dos Mortos de Zack Snyder do que assistir ao novo episódio inédito de Crepúsculo.

Mas, o que faz um bom filme de zumbis? Desde que George A. Romero mostrou para o mundo o seu Night Of The Living Dead, o gênero cresceu como uma real infestação de zumbis. Dos trash filmes italianos, passando pelos clássicos dos anos 80, os filmes de zumbis nunca deixaram de existir, e mantiveram um público cativo. Inclusive extrapolando a mídia cinema, migrando para os quadrinhos, TV e videogames. Restava saber como levar essa tradição adiante no novo milênio. Mas aparentemente os fãs dos clássicos de Mr. Romero ganharam agora um novo bom filme para colocar ao lado da produção do diretor de 300. Não que ele seja um filme sério sobre o tema, mas Zombieland tem tudo o que um bom filme de zumbi deve ter, com um tempero extra de humor.

Um dos fatores que eu considero mais importante para um filme como esse são bons personagens, e Zombieland os tem de sobra. Como os zumbis em sí não são personagens em potencial do filme, por não fazerem muito mais do que andar, matar e grunhir, é necessário que existam personagens fortes para conduzir a estória e seus conflitos. Além disso, é necessário estabelecer o “look and feel” para esse tipo de produção. É muito fácil perder a mão e transformar tudo em uma carnificina gore sem propósito.

Zombieland parece ter acertado a mão em ambos os aspectos. Você se conecta imediatamente a estória, que é até bem estruturada em se tratando de um filme dessa categoria. Enquanto muitos filmes não dão explicação nenhuma sobre como a invasão começou, Zombieland estabelece desde o começo como tudo começou (apesar da explicação ser meia estapafúrdia). Já os personagens são um caso a parte, e junto com a produção caprichada e o roteiro, formam o tripé que leva o filme adiante.

Os quatro personagens principais são identificados pelas suas cidades de origem ou para onde têm a esperança de ir. Eles são propositalmente estereotipados ao extremo: Columbus (Jesse Eisenberg) por exemplo, é o herói nerd padrão. Ele não se acovarda quando a vizinha gostosa invade o seu quarto procurando socorro e proteção contra uma orda de zumbis. Só o que ele não esperava é que a própria vizinha iria se tornar uma criatura sedenta pelo seu cérebro.

Ele se junta a Tallahassee (Woody Harrelson), que por sua vez tem a missão de, além de bater o recorde mundial de decapitações de zumbis, achar pacotes de seu doce favorito. Ou seja, o “motherfucker” dos filmes de ação atuais. Somam-se a eles duas irmãs, Wichita (Emma Stone) e Little Rock (Abigail Breslin).  Wichita tem a mesma idade de Columbus, e se tornará, é claro, o seu interesse romântico. Já Little Rock é bem mais nova, mas é quase sempre mais corajosa e madura que o protagonista Columbus. Juntos eles rumam em direção a Pacific Playland, um dos últimos lugares aparentemente livres de zumbis. Vale destacar também a aparição relâmpago de Bill Murray, interpretando a sí mesmo.

Outro fato que conta a favor de Zombieland é a inovação. Enquanto 90% dos filmes de zumbis se passam em algum lugar fechado, onde os sobreviventes tentam se manter vivos, o filme do diretor Ruber Fleischer lembra mais um Road Movie. Essa abordagem certamente é inovadora, pois se o filme deixa de ser claustrofóbico, com certeza passa a ter uma nova dinâmica de ação. E ação é o que não falta no filme. Essa abordagem certamente é mais acertada para um filme mais cômico, e abre mais opções de situações absurdas para o filme.

O filme porém não é perfeito: existem momentos fracos, onde os protagonistas se colocam em algumas situações clichês, como escolher uma rota de fuga para um beco sem saída ao invés de um campo aberto. Outra coisa que achei um pouco falha foi a inserção de sentimentos que não casam muito bem com esse tipo de filme. Tentar dar um simbolismo e significado mais profundo com lições como a importância da família e a superação dos medos internos não tem muito espaço quando você tem que correr e estourar os miolos de canibais devoradores de cérebro com uma espingarda de cano duplo. Porém, esses pequenos deslizes não prejudicam de forma nenhuma a diversão, que é o fator mais importante aqui. Zombieland não é um filme de zumbis para ser levado a sério, mas afinal de contas, qual é?

Zombieland é muito mais que uma comédia de zumbis. Ele pega os conceitos criados por Edgar Wright e Simom Pegg em “Todo Mundo Quase Morto” (Shaun Of The Dead) e os eleva a um novo patamar, deixando um pouco de lado o nonsense da dupla e focando mais na ação em sí. O roteiro interessante, em conjunto com o elenco bem escolhido e com boas atuações garantem um filme divertido, tanto para fãs de filmes de zumbis quando para quem gosta de uma boa aventura/comédia.

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