Primeira audição: The Final Frontier

A donzela de ferro está de volta! Segue minhas impressões na primeira audição de The Final Frontier, o novo trabalho do Iron Maiden.

The Final Frontier

01 – Satellite 15… The Final Frontier: Começo climático e épico. O trio de guitarras faz um trabalho muito bom em conjunto com a bateria de Nicko McBrain. É realmente diferente do que estamos a acostumados… Mas dai vem a poderosa voz de Bruce Dickinson e você se sente em casa novamente. Engraçado que esta introdução me deixou um sentimento nostálgico e de modernidade ao mesmo tempo. Quando a música realmente começa, ela lembra o que de melhor Dickinson andou fazendo em sua carreira solo antes do retorno ao Iron Maiden. Tem peso, mas a pegada é um pouco mais hard rock do que heavy metal. Um bom começo.

02 – El Dorado: Está grudada a faixa de abertura e parece ser uma continuação da mesma. Steve Harris “cavalga” o baixo com a maestria de costume. Esta faixa também é mais rápida e direta que a primeira. Lembrou-me quase que imediatamente a algo do tempo de No Prayer For The Dying e Fear Of The Dark. O trabalho de guitarras está primoroso. E caramba, como Bruce Dickinson canta! O solo parece dividido em pequenas sessões, e você percebe claramente onde um guitarrista termina e o outro começa… Realmente muito interessante.

03 – Mother Of Mercy: Início climático, com um bom trabalho vocal. Pela primeira vez o sentimento do “velho” Iron Maiden aparece, por esta se tratar de uma faixa mais simples em sua concepção do que as duas canções anteriores. É aquele tipo de música boa que não compromete mais que também não acrescenta nada de novo.

04 – Coming Home: Power ballad… Um tipo de música arriscada para qualquer banda de heavy metal. A chance de produzir uma porcaria é muito grande. Porém, estamos falando de Iron Maiden e não de uma bandinha qualquer. A donzela de ferro toma o desafio nas mãos e produz uma música que certamente agradará em cheio ao vivo. Épica e certeira.

05 – The Alchemist: Rápida e certeira, heavy metal clássico direto ao ponto. Refrão que se aloja no cérebro e promete não sair de lá por um bom tempo. Essa é para cantar junto.

06 – Isle Of Avalon: A mais progressiva das faixas até aqui. Trabalho minimalista de guitarra/bateria, com efeitos sonoros para dar o clima. É o tipo de música que vai se desenvolvendo em um crescendo, até explodir em uma apoteose instrumental levada com maestria pela banda. Teclados discretos ajudam a dar um clima futurístico. As mudanças de ritmo me lembraram algo como se o Rush tocasse metal. Nicko McBrain brilha. Aliás, me espanta como todos os integrantes da banda parecem estar em grande forma.

07 – Starblind: Inicia lenta e com teclados climáticos. Riffs trovejantes de guitarras são adicionadas a mistura. O ritmo é bem quebrado. A presença dos teclados é mais aparente aqui, lembrando bastante algo da época de Seventh Son Of A Seventh Son. Aliás, a música toda remete a este período da banda, o que pode agradar alguns (como eu) e desagradar a outros. Mas em minha opinião, mais uma grande música.

08 – The Talisman: Começo lento e climático, quase folk. O andamento da música remete a um clima meio medieval, meio fantasioso. Mas em seguida a banda entra chutando tudo, com velocidade e peso. É praticamente um pé na porta, tapa na cara. É a música com mais clima de “Novo Iron Maiden” (de Brave New World em diante).

09 – The Man Who Would Be King: Mais um exemplo de como começar uma música e transformá-la totalmente algum tempo depois. As quebras de ritmos são impressionantes, e o trecho central da música mostra algo musicalmente que o Iron Maiden nunca havia feito antes. O que parecia ser apenas mais uma música de repente te faz arregalar os olhos e ver que o Iron Maiden realmente ainda tem muita lenha para queimar musicalmente, e não está de forma alguma presa aos clichês dos grandes álbuns de sua carreira.

10 – When The Wild Wind Blows: A mais longa música do álbum, com 11 minutos (chegou perto de The Rime Of The Ancient Mariner, com 13). A melodia se confunde com os vocais por um longo trecho, criando um efeito interessante. O ritmo é moderado, e deixa de lado a velocidade em benefício de um bom trabalho das três guitarras, que se intercalam em várias camadas, criando uma sonoridade coesa e poderosa.

Enfim, The Final Frontier mostra uma velha banda que na verdade não envelheceu, e a cada álbum traz uma brisa de ar fresco a um estilo de música já tão batido quanto o heavy metal. O Iron Maiden desponta hoje como a última grande banda que não vive exclusivamente de passado.

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