Post Especial: Tron Legacy

Tudo começa em 1982…

Poster de Tron

Tron: Uma Odisséia Eletrônica é um filme que definitivamente inovador. Numa época em que os computadores ainda guardavam mistérios para as pessoas comuns, o filme traz um tipo de fantasia tecnológica que até aquele momento não existia, mostrando conceitos que mesmo exagerados ao máximo, se tornariam comuns com o decorrer dos anos. Porém, além das possibilidades filosóficas e de narrativa, inicia-se aqui uma revolução que se mostraria muito mais relevante: a do uso dos computadores para a geração de efeitos especiais inimagináveis no cinema até então. Na época o mais avançado que se tinha notícia eram os efeitos criados pela Industrial Light & Magic de George Lucas e as maquetes e monstros de Ray Harryhausen, que apesar de impressionantes (e atuais até hoje em alguns casos) eram limitados ao que se podia criar no mundo real. Tron era diferente. Fazendo uso do que mais avançado existia na época em computação gráfica, o filme mostrava um visual totalmente inovador, que enchia os olhos dos espectadores com seus efeitos e motocicletas de luz.

Porém, olhando para trás e assistindo o filme quase 30 anos depois do seu lançamento, é incrível como os roteiristas conseguiram incluir na trama conceitos que se tornariam populares apenas anos mais tarde, com a popularização da informática. O conceito de avatar, a representação eletrônica de um usuário humano, tão facilmente reconhecida nos dias de hoje com a explosão das redes sociais, por exemplo, estava nítida no conceito do filme, e foi reutilizada por James Cameron em sua superprodução recente. A própria possibilidade de fuga da realidade para viver em um ambiente gerado artificialmente, que tanto vicia usuários de jogos nos MMORPG’s como World of Warcraft pelo mundo todo, também está presente. Em suma, podemos dizer que Tron: Uma Odisséia Eletrônica é, em todos os sentidos, um filme a frente de seu tempo.

Por trás dos efeitos especiais, um roteiro

Antes de qualquer coisa, vale ressaltar que o filme é uma fantasia, e como tal, segue a cartilha da tão falada hoje em dia “jornada do herói”. Kevin Flynn (interpretado por Jeff Bridges) tem seus projetos de jogos roubados por um colega de trabalho inescrupuloso e ao tentar expor seu inimigo acaba sendo “digitalizado” para dentro de um mundo virtual. É o mesmo conceito que vemos, para citar apenas produções famosas, Star Wars, O Senhor dos Anéis e Avatar. O personagem principal é tirado de sua zona de conforto (Luke em Dagobah, Frodo no condado) e arremessado, mesmo que relutante, em uma jornada por um mundo desconhecido. O fator tecnológico neste contexto serve apenas como pano de fundo. Claro que a estória de Tron é infinitamente mais superficial que o épico de Tolkien ou até mesmo que a obra de George Lucas, mas o que quero deixar claro é que todo o fator do deslumbramento dos efeitos especiais são considerados muito mais importantes pelas pessoas do que deveriam. Existe uma estória muito bem amarrada por trás de todo o show visual. E foi esse roteiro que permitiu que agora, quase trinta anos mais tarde, se criasse um novo filme.

Muito além do filme original

É relevante perguntar por que depois de tanto tempo, Tron ainda é uma marca relevante para que a Disney investisse dinheiro na produção de um novo longa metragem. O que a maioria das pessoas não sabe é que a “odisséia eletrônica” não acabou necessariamente no filme de 1982. Alguns produtos foram lançados (a maioria não no Brasil) e mantiveram a marca na lembrança dos fãs.

Tron: Ghost In The Machine

Talvez a primeira e mais importantes iniciativa (por dar certa continuidade ao universo do filme) foram os quadrinhos. Em 2003, a editora 88 MPH planejou lançar uma minissérie chamada Tron 2.0: Derezzed. Porém, ela foi cancelada antes do seu lançamento. Mais adiante, em 2005, a Slave Labor Graphics anunciou uma série de seis edições chamada Tron: The Ghost In The Machine. A primeira edição foi lançada em abril de 2006. Apesar de sofrer atrasos nos lançamentos das edições (a última edição chegou às bancas norte-americanas apenas em meados de 2008), a série teve relativo sucesso.

Vale ressaltar aqui que os eventos contados na minissérie se passavam seis meses depois da linha narrativa de outro produto baseado na franquia: o jogo Tron 2.0. O jogo foi lançado em agosto de 2003, e trata-se de um game de tiro em primeira pessoa. O jogo teve várias “encarnações” diferentes lançadas em diversas plataformas como computadores (PC e Mac), X-Box e Game Boy Advance. O importante é que os conceitos mais importantes, como as motocicletas e batalhas de tanques e discos estão presentes. É claro que existem os games mais antigos também, como os para Atari 2600 e Colecovision, mas esses foram lançados praticamente juntos ao filme, e hoje me dia são praticamente desconhecidos para os não aficionados por games antigos.

Além disso, Tron esteve presente em vários outros produtos da Disney, como parques temáticos por exemplo. E a sua presença deve crescer ainda mais com o lançamento do novo filme. Já foram anunciados os lançamentos de um novo game chamado Tron: Evolution e os planos para uma série de TV.  Nos quadrinhos, a Marvel lançou em outubro deste ano a série Tron: Betrayal, que conta eventos anteriores a estória do novo filme, servindo como uma introdução aos que não assistiram ou que não se lembram do filme original. Resta saber se o novo filme faturará o suficiente para justificar todo esse investimento.

Tron: Betrayal

O que esperar de Tron Legacy?

Primeiro, o óbvio: o visual está anos luz a frente do filme de 1982. Para quem está esperando um espetáculo visual proporcionado pelo o que melhor existe em efeitos especiais e o 3D reconhecidamente caprichado da Disney vai certamente sair do cinema satisfeito. Se eu fosse o responsável por efeitos especiais dos blockbusters que estão por vir nos próximos meses (especialmente Lanterna Verde), eu estaria coçando a cabeça de preocupação. E provavelmente só esse aspecto já pague o filme, pois o espetáculo visual com certeza deve atrair muito público, principalmente adolescentes e crianças.

Já para quem quer aproveitar o filme como uma experiência completa, com uma estória boa e bem amarrada, provavelmente vai acabar se decepcionando um pouco. Pelo menos é o que as diversas críticas internacionais como os da Variety estão dando a entender. Porém é compreensível que os roteiristas Edward Kitsis e Adam Horowitz não aprofundem demais a estória para que ela seja acessível a um público maior do que se o filme discutisse os aspectos filosóficos do homem dentro da máquina.

Minha impressão é que Tron Legacy será um blockbuster pipocão de qualidade. Há potencial para se criar uma franquia de sucesso (e até mesmo cult, como o primeiro filme), porém talvez as limitações a que o filme será submetido para garantir o retorno financeiro possa evitar que o filme atinja um nível artístico um pouco acima da média.

Em suma, se você não for ao cinema esperando por um novo clássico, você tem uma grande probabilidade de se divertir bastante. Resta esperar pela estréia aqui no Brasil nesta sexta-feira e conferir a produção para ver se as expectativas se confirmam.

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One Response to Post Especial: Tron Legacy

  1. Fulano says:

    Link para baixar o filme original: http://www.megaupload.com/?d=5X0IY6B5

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