Saindo do óbvio: Batman – O Messias

Sempre que um novo filme de super-heróis está próximo de ser lançado, as editoras correm para colocar nas bancas e livrarias edições especiais destes personagens, esperando arrecadar uma grana no rastro destas produções. No caso dos filmes do Batman, o mesmo sempre ocorre. O problema é que quase sempre as edições lançadas (ou indicadas para leituras em sites) são sempre os mesmos. “Cavaleiro das Trevas”, “Ano Um”, “O Longo Dia das Bruxas” são campeões mundiais de republicações e edições especias, definitivas e afins.

Mas em mais de setenta anos de histórias, é impossível que quem queira ler algo interessante sobre o personagem precise ficar restrito a apenas essas edições. Batman é um dos personagens com mais graphic novels interessantes lançadas, e para sair da mesmisse (e como The Dark Knigth Rises está chegando) resolvi recomendar uma revista que eu gosto muito, e que é um pouco diferente em estilo e narrativa do que as comentadas acima.

Lançada originalmente no Brasil em formato de minissérie mensal em quatro edições, “Batman – O Messias” é uma graphic novel de 1988 escrita por Jim Starlin e desenhada por Bernie Wrightson. Estes dois nomes já são garantia de qualidade, pois ambos já fizeram trabalhos memoráveis tanto para Marvel quanto DC. Starlin  é o criador de personagens como Thanos e Dreadstar, enquanto Wrightson é conhecido por seus trabalhos com o Monstro do Pântano e revistas de terror e mistério como “House Of Mistery” e infinitas capas para diversas editoras. Então por que “O Messias” não tem seu valor reconhecido como outras graphic novels do morcegão?

Em parte isto acontece por causa do momento em que a revista foi lançada. Vindo na esteira de “Cavaleiro das Trevas” de 86, “O Messias” trata os personagens de uma maneira diferente do clássico de Frank Miller. Enquando “Cavaleiro” trata mais dos mitos dos super-heróis, “O Messias” foca mais na personalidade dos homens por detrás das máscaras, e do relacionamento que eles possuem entre si. Esta é, por exemplo, a história que melhor aproveitou um Robin até hoje. Mesmo eu particularmente não gostando do personagem, a abordagem dada a ele aqui por Starlin faz com que você goste e torça pelo personagem. E isto com ele trabalhando com um dos piores Robins de todos os tempos, Jason Todd. Robin poderia funcionar bem com Batman se abordado sempre dessa forma, o que infelizmente não ocorreu, ocasionando o “dedo para baixo” dos leitores que votaram para que ele morresse nas mãos do Coringa na série “Morte Em Família”.

Outro fator que pode ter diminuído o interesse sobre a HQ foi que ela não traz um vilão conhecido do universo do Batman. É uma pena, porque o Diácono Blackfire me parece ser um dos personagens mais bem escritos e com profundidade de toda a história do Batman. Ele “quebra” o Batman psicologicamente, o que pela minha lembrança nenhum vilão tinha feito antes. Ver o Batman, um personagem que geralmente é endeusado pelos escritores pela sua força mental e inteligência ser “lobotomizado” e usado por um vilão é no mínimo impactante. Mas aparentemente parte do impacto se perdeu simplesmente por não ser o vilão o Coringa ou Pinguim. Acho que de certa forma isto impediu que a HQ pudesse ser reconhecida como uma das histórias emblemáticas do personagem.

E mesmo com toda a carga psicológica que Starlin aplicou a trama, a HQ não peca pela falta de ação, que é magistralmente retratada por Bernie Wrightson. Pelo contrário: a parte final da história é uma das sequências mais tensas e violentas que já vi em um história em quadrinhos. É o tipo de violência que você vê quando as pessoas são pressionadas até o limite, e mesmo o mais controlado e frio dos homens acaba cedendo aos instintos mais básicos. Ver o Batman regozijando-se pelo uso da violência contra um dos seus inimigos não é uma coisa que você vê todo dia. Aliás, não é uma coisa que o você vê nas histórias em quadrinhos de modo geral.

Finalizando, acredito que mesmo não figurando no panteão de clássicos absolutos do cruzado encapuçado, “O Messias” é uma HQ que deve ser conferida por quem espera conhecer um pouco mais do personagem e sair do lugar comum das graphic novels mais conhecidas, como “A Piada Mortal”, “Asilo Arkham” e afins.

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5 Responses to Saindo do óbvio: Batman – O Messias

  1. daniel says:

    excelente resenha! também gostei desta graphic novel que foi timidamente reconhecida, justamente pela imposição de outras grandes obras da mesma época, mas vale conferir, e acredito mesmo que foi uma das fontes inspiradoras no novo filme de batman que encerra a trilogia (basta notar gotham sitiada)

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  4. Geovani says:

    Realmente, essa graphic novel do batman, é uma das melhores para mim, se não a melhor, muito bem escrita, e desenhada, é obrigação de quem gosta das historias do moercego. Essa história tem uma trama muito bem armada, e o vilão, e os inimigos beiram o surrealismo, possuem algo místico. E por fim, é uma HQ que deveria ter o selo MAX, pela quantidade de violência contida. Muito boa, em alguns momentos fico triste de ela ser curta, mas é assim. uma obra prima.

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